Eu não sei por onde começar isso. Eu não sei quando começamos, não faço a mínima ideia de como te explicar esse nó que sinto, não só em relação a você, mas a tudo. Eu sempre menti sobre como não me entreguei a você. Fui eu quem mais mentiu porque sempre me pareceu mais prudente estar por cima da situação quando na verdade eu criei toda ela. Eu que por trás das cortinas fui atrás de você. Eu que não queria te perder e até hoje não te perdi. Porque toda vez que corro os corredores cinematográficos da minha cabeça vem o seu rosto junto ao meu. Você ainda está vivendo minha vida por um camarote exclusivo que tanta gente teve acesso quase privilegiado e hoje existe uma morada quase exclusiva tua.
Depois de tanto ouvir nossas músicas, que na verdade são minhas, e rever nossas memórias e quase pude sentir sua mão tocando a minha e a sensação de estar com você foi a que eu mais desprezei nos últimos tempos. Eu fui e voltei várias vezes e mantive meu orgulho e insegurança em primeiro lugar. E hoje só existe uma solidão com teu nome tatuado no peito.
Hoje nosso teatrinho barato só me fez ser a mocinha enganada que ainda não está naquele capítulo glorioso que dá a volta por cima. Não sou de acompanhar novelas, só que qualquer coisa relativamente romântica me chama atenção.
Só posso te dizer que minhas barreiras estão quebradas e meu orgulho abalado a cada noite que deito a cabeça no travesseiro e espero inutilmente você abrir a porta de uma vez e me tirar desse poço que minha vida está se tornando. Mas eu sei que o buraco só vai ficar maior e mais fundo e como sempre eu vou me aproximar de qualquer abraço que se pareça com o teu e me conformar. Continuar vivendo a vida sem as portas sendo derrubadas, cortinas fechadas, corredores sem saída, poços fundos e o camarote com uma cadeira vazia em destaque. Tudo a falta que você deixou.
Giovanna Girão
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