domingo, 11 de março de 2012

Meus bocados



Sou especialmente um punhado de cansaço e vazio. Sou algo que restou depois de tantos fins mal finalizados sem os necessários pontos finais. Ridiculamente sou como o arroz da semana inteira que foi sendo requentado e usado, esfriado e esquentado quantas vezes necessárias até acabar. E assim vivo, mas não acabei ainda. Mesmo que persista sempre existe essa ausência de um fiasco de luz, e mesmo que tudo pareça ser lindo e vivo o suficiente, não é. Almejo algo novo, algo que me faça morrer por três segundos, que deixe o coração louco e a vida conturbada.
Eu odeio essas pessoas inexperientes a tal ponto que reclamam do amor. Imagine se você fosse como eu, tão machucado que nem mesmo consegue sentir. Já está na hora de rever esses conceitos tão dramáticos e generalizados. Eu já senti muito. Já senti profundo como uma facada. Os amores banais de férias já foram meus melhores amigos, mas hoje eles são um tanto desnecessários. O meu estado é quase que estancado. A chuva é só mais um pretexto para não cruzar a porta da sala. As viagens estão sendo adiadas, as músicas pausadas e os amores? Aniquilados.
E mesmo sendo assim ainda peço doçura, peço uma fungada atrás da orelha ou até mesmo um obrigado. Peço, porque já existem muitas causas perdidas e esquecidas na gaveta do criado mudo. Coisas que não demos nossas melhor, coisas que não vivemos intensamente e talvez nem saibamos tudo que perdemos por esses medos bobos. Estou vivendo mesmo que seja com o sorriso forçado ou requentando a felicidade com as nostalgias arranjando algum pretexto para transbordar felicidade. 

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