sexta-feira, 16 de março de 2012

Sensação 338


É inevitável como a saudade machuca, estraçalha nosso coração e o incrível mesmo é que ainda consigo sorrir e ser tão forte. Acordar cedo, se arrumar nas pressas, fazer um lanche bem expresso, passar o pente nos cabelos, calçar o sapato, abrir a porta de casa e torna-se alvo de qualquer imprudência, sorte, sei lá, qualquer coisa desse mundo, ser o próprio alvo. Porém tem uma hora que a gente para, ou pelo menos tem que parar... Nessas horas, ou nesses valiosos minutos é o tempinho que mais me lembro de você, que dá uma vontade de chorar... Muitas vezes até choro, me revolto, me questiono, fico nessa maldita transição de sentimentos. E logo lembro que você jamais gostaria de me ver assim e que quando eu choro você sofre. Então, logo brota um sorriso no meu rosto, piadas saem da minha boca fazendo as pessoas sorrirem, músicas soam meu ouvido alegrando meu coração, boas ações surgem no instante da gota da chuva. Lembro tanto de nós dois juntinhos conversando sobre um velho sofá. (só eu sei o quanto ele significava pra você), tirando meleca do nariz, fazendo cócegas no outro, colocando um prego na minha chinela que insistia quebrar toda semana, fazendo tapioca ou cocada, assistindo jogo de futebol no rádio, contando piada. (eu adorava te ver sorrir, pois quando você sorria eu ficava procurando na ausência dos seus dentes, mais um motivo pra seguir, mais um motivo para te dá orgulho). Para ser sincera, hoje eu já nem sei se é dor... É mais saudade... Talvez, aquele pedaço do amor que fica. É como a sua melhor foto que perderam, como aquele sorriso mais bonito que conseguiram arrancar com o motivo muito lôbrego. Hoje eu quero dormir com a certeza de que eu vou te encontrar naquele mesmo lugar de sempre, do mesmo jeito de sempre.

Luana Castro

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