terça-feira, 27 de março de 2012

Medo de ser


Bateu aquela pontada agora. Aquela ânsia louca que eu sinto quando os sentimentos estão inexistentes e mal interpretados até por mim mesma. Eu não sei como começar as coisas e em maior parte do tempo eu não sei o que dizer confortavelmente, espontaneamente ou imediatamente. Infelizmente aprendi a pensar. Sou essa incógnita vinte e quatro horas por dia e parece que as coisas só vão se tornar aparentemente seguras quando eu me alienar fielmente a alguém que me cure de tantas feridas anteriores. Soa sempre tão egoísta de minha parte exigir que alguém saiba cuidar de mim e que me dê todo o carinho e atenção necessária e me torno mais imatura ainda exigindo tudo isso. E é por isso que não me ofendo mais porque acho que não nasci pra ser madura. Creio que vou ser esse drama mexicano até que caia a ficha na minha cabeça e eu possa entender que já é hora de dosar cada vez menos a realidade. Preciso de menos entendimento de mundo e mais liberdade de mim mesma. Eu vou ser sempre assim? Enquanto vejo minhas tias conversarem umas com as outras e dramatizarem tudo e colocarem a culpa em tudo, nos maridos bêbados, nos filhos mal criados, nas sogras entronas... Mas mesmo assim por trás de tudo elas sabem resolver os problemas. Mas não quero isso pra mim. Não quero ser essa mulherzinha, não sei se nasci pra ser moderninha ou qualquer coisa assim. Não sei de verdade. Eu não sei se vou me casar com minha paixonite de quinze anos ou se vou encontrar meu melhor amigo daqui a quarenta anos e me casar com ele para dispensar os rótulos de que é tarde demais para amar. Não sei. E eu odeio não saber das coisas. Eu odeio não ter certeza de que as coisas vão ser profundas ou passageiras, livres ou sufocantes. Odeio não saber. Eu quero saber logo se vai mesmo acontecer comigo os problemas de contas das minhas tias ou até mesmo se a minha ânsia de sentimentos tem que ser minha babá, me ensinando o que devo ou não fazer. (...) E como sou esse drama mexicano sem nenhum aparente mocinho romântico para me livrar do sequestro só me resta criar minha alienação dos bares e amores superficiais. Desculpe pela hipocrisia da noite passada, sei que também odeio coisas pela metade e sem segurança, mas eu precisava experimentar. Não foi muito satisfatório, mas foi aprendizagem. Vê como está tudo dispersado? Tudo meio avoado, tudo dramatizado demais sem necessidade. Ao melhor, existe a necessidade de que essa pontada pare e que o raciocínio estacione um pouco e assim as coisas vão sendo interpretadas e perdoadas. Que se resolva o x da equação, o que for. Qualquer coisa que tire a dúvida cruel da cabeça e assim eu pare de odiar qualquer coisa que me faça pensar e que venha me tirar da minha alienação.


Giovanna Girão

sexta-feira, 23 de março de 2012


O que é pra ser


Lembra-se de quando eu disse que “quando eu canso, eu canso”? Sinto informar que agora que essa ideia se tornou verídica. Cansei desses vazios de fim de semana sem ter um abraço seguro e só me restar a lastima chata de alguém que me abandonou por uma festa cheia de gente descolada. Não cola mais comigo a falta de esforço e o falso interesse nos sentimentos que eu escondo aqui dentro. Agora tudo vai ser mais peito aberto, mais tapa na cara. O que for pra ser vai ser e que seja assim. Não levanto mais minha bunda da cadeira pra fazer algum esforço por alguém que não compraria nem um sushi na esquina pra mim. Já chega desses caminhos tortos e de ficar sentada na porta de casa esperando o “tudo que eu quero”.  A gente pensa que tem que correr atrás do grande amor e que se não fazer a tempestade em copo d’água pode perdê-lo pra loira gostosa. Mas quer saber? Já sai dessa nóia e dessa perda de tempo absurda. Pode até ser que pareça letra de funk, mas minha felicidade vale muito. E hoje ela está acima de um fim de semana perdido frustrada por ter sido deixada de lado. Aprendi que sorriso ninguém pode tirar do nosso rosto, e quem te ama de verdade quer-te sorrindo, e não em casa sofrendo por falsas amizades e falsas expectativas. Chegou minha vez de subir no salto e curtir, porque a vida é só uma e minha paciência com falta de maturidade masculina já era faz tempo.


Giovanna Girão

sexta-feira, 16 de março de 2012

Sensação 338


É inevitável como a saudade machuca, estraçalha nosso coração e o incrível mesmo é que ainda consigo sorrir e ser tão forte. Acordar cedo, se arrumar nas pressas, fazer um lanche bem expresso, passar o pente nos cabelos, calçar o sapato, abrir a porta de casa e torna-se alvo de qualquer imprudência, sorte, sei lá, qualquer coisa desse mundo, ser o próprio alvo. Porém tem uma hora que a gente para, ou pelo menos tem que parar... Nessas horas, ou nesses valiosos minutos é o tempinho que mais me lembro de você, que dá uma vontade de chorar... Muitas vezes até choro, me revolto, me questiono, fico nessa maldita transição de sentimentos. E logo lembro que você jamais gostaria de me ver assim e que quando eu choro você sofre. Então, logo brota um sorriso no meu rosto, piadas saem da minha boca fazendo as pessoas sorrirem, músicas soam meu ouvido alegrando meu coração, boas ações surgem no instante da gota da chuva. Lembro tanto de nós dois juntinhos conversando sobre um velho sofá. (só eu sei o quanto ele significava pra você), tirando meleca do nariz, fazendo cócegas no outro, colocando um prego na minha chinela que insistia quebrar toda semana, fazendo tapioca ou cocada, assistindo jogo de futebol no rádio, contando piada. (eu adorava te ver sorrir, pois quando você sorria eu ficava procurando na ausência dos seus dentes, mais um motivo pra seguir, mais um motivo para te dá orgulho). Para ser sincera, hoje eu já nem sei se é dor... É mais saudade... Talvez, aquele pedaço do amor que fica. É como a sua melhor foto que perderam, como aquele sorriso mais bonito que conseguiram arrancar com o motivo muito lôbrego. Hoje eu quero dormir com a certeza de que eu vou te encontrar naquele mesmo lugar de sempre, do mesmo jeito de sempre.

Luana Castro

A bem resolvida


Hoje decidi ser egoísta e escrever para mim. Precisava saciar essa minha vontade de louca de sair quase expurgando as palavras de mim. Mas hoje eu não poderia me dar ao luxo de escrever pra alguém a não ser eu.

Hoje me encarei no espelho e fiz o maior esforço do mundo para não reclamar da minha barriga, do meu nariz grande ou do meu cabelo. Procurei entender essa minha cabeça louca que por mais que me ajude já me enfiou em muitas confusões mentais instigantes.

Hoje fez um frio danado e eu percebi como posso me aquecer com meus próprios braços, e mesmo que alguém venha todo cheio de melação oferecendo um abrigo não vai substituir todas as vezes que eu deveria cair e empinei o nariz e segui em frente. Porque nenhum carinho invernal substitui minha mais recente melhor amiga chamada autossuficiência. 

Eu aprendi a atravessar as avenidas de olhos fechados. Não entende a metáfora? Pois posso dizer que confio em mim mesma mais que qualquer um, coloco a mão no fogo por mim mesma. Se eu resolver pular de um avião não será um problema não ter quem me segure lá embaixo, imagine então a ausência de paraquedas, pois eu caio e me concerto. Eu aproveito a brisa e tocaria os pássaros, se quiser posso até voar com eles.

Não estou escrevendo isso para todos os “ele” que ocuparam/ocupam minha cabeça e sim para mim, porque sei que mereço. Preciso ressaltar tudo que sou, preciso encravar essa ideia na minha cabeça. Fui aprendendo com o tempo que barba mal feita nenhuma substitui minhas músicas favoritas, que nenhum perfume forte substitui minha liberdade de ser quem sou sem fingimentos para agradar, e claro que nenhum amor de cinema pode passar por cima do meu hábito de caneta e papel.
Hoje alguém me disse que amor não era oxigênio e que não é um tipo de necessidade, está mais pra algo que acontece. Foi o melhor conselho que eu recebi depois de ter pedido tantos.

Hoje pode ter um espaço reservado para os meus passados que participam da minha vida – leem-se caras idiotas – mas por hora a chave desse treco que bate no meu do peito está guardada na mesa de cabeceira. Não, eu não a escondi. Já confio o suficiente em mim que vou saber o tempo certo de colocar essas coisas em primeiro lugar.

Não só hoje, mas todos os dias, vou buscar me encontrar primeiro para depois encontrar um novo passatempo emocional. Depois de tanto tempo eu aprendi que estou amadurecendo de verdade por contra própria. E mesmo sabendo que toda essa minha maturidade é sempre falsa posso dizer que estou falsamente bem resolvida, mas o que importa mesmo são as aparências. 

Podem acreditar que eu vou continuar maluca, possessiva, egocêntrica, perseguidora só que agora eu vou saber quem realmente vale a pena receber toda essa minha maluquice.

Giovanna Girão

terça-feira, 13 de março de 2012

Uma nota sobre nós. (textos excluídos)

Eu não sei por onde começar isso. Eu não sei quando começamos, não faço a mínima ideia de como te explicar esse nó que sinto, não só em relação a você, mas a tudo.  Eu sempre menti sobre como não me entreguei a você. Fui eu quem mais mentiu porque sempre me pareceu mais prudente estar por cima da situação quando na verdade eu criei toda ela. Eu que por trás das cortinas fui atrás de você. Eu que não queria te perder e até hoje não te perdi. Porque toda vez que corro os corredores cinematográficos da minha cabeça vem o seu rosto junto ao meu.  Você ainda está vivendo minha vida por um camarote exclusivo que tanta gente teve acesso quase privilegiado e hoje existe uma morada quase exclusiva tua. 


Depois de tanto ouvir nossas músicas, que na verdade são minhas, e rever nossas memórias e quase pude sentir sua mão tocando a minha e a sensação de estar com você foi a que eu mais desprezei nos últimos tempos. Eu fui e voltei várias vezes e mantive meu orgulho e insegurança em primeiro lugar. E hoje só existe uma solidão com teu nome tatuado no peito.
Hoje nosso teatrinho barato só me fez ser a mocinha enganada que ainda não está naquele capítulo glorioso que dá a volta por cima. Não sou de acompanhar novelas, só que qualquer coisa relativamente romântica me chama atenção.
Só posso te dizer que minhas barreiras estão quebradas e meu orgulho abalado a cada noite que deito a cabeça no travesseiro e espero inutilmente você abrir a porta de uma vez e me tirar desse poço que minha vida está se tornando. Mas eu sei que o buraco só vai ficar maior e mais fundo e como sempre eu vou me aproximar de qualquer abraço que se pareça com o teu e me conformar. Continuar vivendo a vida sem as portas sendo derrubadas, cortinas fechadas, corredores sem saída, poços fundos e o camarote com uma cadeira vazia em destaque. Tudo a falta que você deixou.


Giovanna Girão

segunda-feira, 12 de março de 2012

Velho amigo


Estou com saudade de você. Saudade da época em que convivíamos bem, de quando nos entendíamos e de quando os outros nos entendiam. Eu senti todas as tuas dores, sabe? Sinto essa pontadinha no peito que tanto te incomoda, e se desse para sentir o seu vazio eu o sentiria. Mas moça, eu odeio essa sua mania de esconder, eu já parei de admirar essa sua armadura nos olhos, que não deixa ninguém mergulhar na tua alma e sentir essa tua solidão, essa tua ausência de algo que não tem nome. A minha mão direita não encontrou nenhuma palavra de conforto para as vezes que você chora mesmo sendo raríssimo, ver teus olhos quase cegos pelas lágrimas me trazem conforto, e mesmo que pareça doentio eu sei que quando você chora é mais se sente bem. Sei que você segurou essa cegueira dos teus pesares por um longo tempo. Mesmo não sabendo o que te dizer moça, tua paciência com a vida me fascina, porque é meio impossível ficar triste do teu lado. Eu só sinto uma confusão, uma súplica de algo que ecoa nos teus suspiros e nas tuas respostas monossílabas.

Agora te imagino no escuro do quarto com o corpo suado, e mesmo assim você deve sentir frio. Você escuta uma música que só traduz sua frustração de forma brutal e seus olhos ardem, eles estão quase cegos e o corpo não cogita sair desse escuro. Imagine então sua mente.

E aí eu imagino que seu coração seja assim: escuro, brutal, cego, conformado.

Eu sinto saudade de quando te conhecia e de quando podia te ajudar. Mas moça, eu sei o teu segredo mais precioso. Você teme que o mundo saiba que você morreu por dentro. Eu sei que você sente frio mais por dentro que por fora, e seus sentimentos vazios sangram toda madrugada no banheiro, sozinha. Sei que quase pode morrer com a overdose disso tudo. Talvez eu não te conheça e nem te entenda, mas descobri como me infiltrar na tua alma. Mergulho nesses teus olhos cegos do mundo imersos em desespero, porque sei que está tão anestesiado que nem vai notar minha chegada.


Giovanna Girão

domingo, 11 de março de 2012

Meus bocados



Sou especialmente um punhado de cansaço e vazio. Sou algo que restou depois de tantos fins mal finalizados sem os necessários pontos finais. Ridiculamente sou como o arroz da semana inteira que foi sendo requentado e usado, esfriado e esquentado quantas vezes necessárias até acabar. E assim vivo, mas não acabei ainda. Mesmo que persista sempre existe essa ausência de um fiasco de luz, e mesmo que tudo pareça ser lindo e vivo o suficiente, não é. Almejo algo novo, algo que me faça morrer por três segundos, que deixe o coração louco e a vida conturbada.
Eu odeio essas pessoas inexperientes a tal ponto que reclamam do amor. Imagine se você fosse como eu, tão machucado que nem mesmo consegue sentir. Já está na hora de rever esses conceitos tão dramáticos e generalizados. Eu já senti muito. Já senti profundo como uma facada. Os amores banais de férias já foram meus melhores amigos, mas hoje eles são um tanto desnecessários. O meu estado é quase que estancado. A chuva é só mais um pretexto para não cruzar a porta da sala. As viagens estão sendo adiadas, as músicas pausadas e os amores? Aniquilados.
E mesmo sendo assim ainda peço doçura, peço uma fungada atrás da orelha ou até mesmo um obrigado. Peço, porque já existem muitas causas perdidas e esquecidas na gaveta do criado mudo. Coisas que não demos nossas melhor, coisas que não vivemos intensamente e talvez nem saibamos tudo que perdemos por esses medos bobos. Estou vivendo mesmo que seja com o sorriso forçado ou requentando a felicidade com as nostalgias arranjando algum pretexto para transbordar felicidade. 

Moça inspiração


Como já disse Oswaldo Montenegro “(…) como se fosse urgente e preciso”, e é isso que sempre vejo em você: precisão.  Moça, você tem algo que me inquieta, talvez tua independência de sentir te traga tanto destaque. Tu não precisas de algo material para exibir essa sua linda e longa risada, só precisa sentir.  Mas sei que tu és completamente dependente disso. Tu precisa sentir e transmitir o que sente, precisa entregar tudo e viver na emoção, tu vives com o coração. Nunca te senti fria, maldosa ou egoísta. O teu pouco egoísmo é quando precisa pensar profundo ouvindo seu Chico, perdida entre pensamentos, mas ainda assim sentindo. Tu és quente, vibrante, alegre e é impossível sentir-se desolado ao teu lado. E ainda sinto tua urgência de alegrar-se. Existe a certeza que tristeza não exista para ti e, se existir disfarce-a porque quando tu sorris é magnífico.  Mas ainda te sinto impaciente, com pressa de realizar no que acredita e com ânsia de viver. Tu és tão cheia de “mas” e “porém”. Tu és tão imprevisível e incontrolável. Já te preenchi de tantos clichês, mas sei que tu gostas dos clichês teatrais. Sei que tem essa coisa de mulher boba e sentindo-se amada em toda essa tua independência de vida. Sei que tu és uma extraordinária criatura, absorvida por uma leveza da vida e uma segurança no que faz e transmite, então creio que tu não precises de conselhos meus ou sentenças óbvias de que seu sorriso és lindo, só te aconselho a manter isso. Não sou lá muito fã de perfeição, mas algumas vezes te sinto perfeita mesmo composta por tantos defeitos e estranhíssimos. Moça, tu és perfeita a tua proporção.

Giovanna Girão