Hoje decidi ser egoísta e escrever para mim. Precisava saciar essa minha vontade de louca de sair quase expurgando as palavras de mim. Mas hoje eu não poderia me dar ao luxo de escrever pra alguém a não ser eu.
Hoje me encarei no espelho e fiz o maior esforço do mundo para não reclamar da minha barriga, do meu nariz grande ou do meu cabelo. Procurei entender essa minha cabeça louca que por mais que me ajude já me enfiou em muitas confusões mentais instigantes.
Hoje fez um frio danado e eu percebi como posso me aquecer com meus próprios braços, e mesmo que alguém venha todo cheio de melação oferecendo um abrigo não vai substituir todas as vezes que eu deveria cair e empinei o nariz e segui em frente. Porque nenhum carinho invernal substitui minha mais recente melhor amiga chamada autossuficiência.
Eu aprendi a atravessar as avenidas de olhos fechados. Não entende a metáfora? Pois posso dizer que confio em mim mesma mais que qualquer um, coloco a mão no fogo por mim mesma. Se eu resolver pular de um avião não será um problema não ter quem me segure lá embaixo, imagine então a ausência de paraquedas, pois eu caio e me concerto. Eu aproveito a brisa e tocaria os pássaros, se quiser posso até voar com eles.
Não estou escrevendo isso para todos os “ele” que ocuparam/ocupam minha cabeça e sim para mim, porque sei que mereço. Preciso ressaltar tudo que sou, preciso encravar essa ideia na minha cabeça. Fui aprendendo com o tempo que barba mal feita nenhuma substitui minhas músicas favoritas, que nenhum perfume forte substitui minha liberdade de ser quem sou sem fingimentos para agradar, e claro que nenhum amor de cinema pode passar por cima do meu hábito de caneta e papel.
Hoje alguém me disse que amor não era oxigênio e que não é um tipo de necessidade, está mais pra algo que acontece. Foi o melhor conselho que eu recebi depois de ter pedido tantos.
Hoje pode ter um espaço reservado para os meus passados que participam da minha vida – leem-se caras idiotas – mas por hora a chave desse treco que bate no meu do peito está guardada na mesa de cabeceira. Não, eu não a escondi. Já confio o suficiente em mim que vou saber o tempo certo de colocar essas coisas em primeiro lugar.
Não só hoje, mas todos os dias, vou buscar me encontrar primeiro para depois encontrar um novo passatempo emocional. Depois de tanto tempo eu aprendi que estou amadurecendo de verdade por contra própria. E mesmo sabendo que toda essa minha maturidade é sempre falsa posso dizer que estou falsamente bem resolvida, mas o que importa mesmo são as aparências.
Podem acreditar que eu vou continuar maluca, possessiva, egocêntrica, perseguidora só que agora eu vou saber quem realmente vale a pena receber toda essa minha maluquice.
Giovanna Girão

Nenhum comentário:
Postar um comentário