Sinto-me errada por gostar de fazer tudo sozinha gritando
por ajuda em silêncio. Por às vezes, sem pretensão, lembrar coisas ruins e ir
guardando, me sufocando aos poucos. Fadigar-me com uma canção que complete
minha sensação de descaso sentimental, me encolher no calor e, mesmo assim, continuar
sentindo frio. Porque aqui dentro, tudo ainda é frio.
A autodefesa equivocada, a falta de cuidado com as
expressões, o riso frouxo e frágil. O olhar perdido que parece tão certo do
caminho, só que quase nunca está. Sou tão inconstante como o clima, tão
ponderada como uma pedra. Não sou estável, nunca vou ser. Não tem graça e não me convence manter-me em uma natureza controlada.
Eu gosto de sentir, mesmo que doa. Gosto de sufocar e depois, displicentemente ir
transbordando, aos poucos. Com pouco drama, com muita paciência.
Sim, de verdade deveria me preocupar em organizar tudo o que
sinto e no que deixei de sentir, mas ainda está exposto demais, e
particularmente preciso retroceder a minha maneira de agir racionalmente, refletir alguns tópicos com mais atenção.
Provavelmente permanecerá doendo por um longo período aonde irão me dizer que
tudo ficará bem, mas eu sei que não vai. Estar bem é clichê demais e estar
triste também, então manter-me insatisfeita no meu isolamento é a melhor
decisão.

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