segunda-feira, 9 de julho de 2012

Displicentemente




Sinto-me errada por gostar de fazer tudo sozinha gritando por ajuda em silêncio. Por às vezes, sem pretensão, lembrar coisas ruins e ir guardando, me sufocando aos poucos. Fadigar-me com uma canção que complete minha sensação de descaso sentimental, me encolher no calor e, mesmo assim, continuar sentindo frio. Porque aqui dentro, tudo ainda é frio.

A autodefesa equivocada, a falta de cuidado com as expressões, o riso frouxo e frágil. O olhar perdido que parece tão certo do caminho, só que quase nunca está. Sou tão inconstante como o clima, tão ponderada como uma pedra. Não sou estável, nunca vou ser. Não tem graça e não me convence manter-me em uma natureza controlada. Eu gosto de sentir, mesmo que doa. Gosto de sufocar e depois, displicentemente ir transbordando, aos poucos. Com pouco drama, com muita paciência.

Sim, de verdade deveria me preocupar em organizar tudo o que sinto e no que deixei de sentir, mas ainda está exposto demais, e particularmente preciso retroceder a minha maneira de agir racionalmente, refletir alguns tópicos com mais atenção. Provavelmente permanecerá doendo por um longo período aonde irão me dizer que tudo ficará bem, mas eu sei que não vai. Estar bem é clichê demais e estar triste também, então manter-me insatisfeita no meu isolamento é a melhor decisão. 

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