O vento batia no seu cabelo escuro contrastando com a
pele pálida. A luz leitosa da manhã invadia as frestas da janela, junto com
essa luz vinha a inconsciência dos seus atos colidindo com sua pouca parcela de
culpa. Ela se matara, assim, bruscamente. A morte levara sua bondade, a morte
matou seu lado utópico.
Desacreditava na verdade, tornara-se cética,
descomprometida, inebriada. Os seus cabelos voavam na mesma sintonia que as
folhas secas e carregavam consigo os primeiros fiascos da noite. Pousou as mãos
sobre os olhos e acomodou-se no divã manchado de lágrimas, secou os olhos e
limpou a alma.
O frio através da janela invadia toda a casa, mas não era necessária
mais frieza onde já existia em demasia.
Dançou uma música que não tocava, ouviu palavras que
não foram ditas, viu coisas que não eram vistas por mais ninguém. Pertencia a
sua própria esquizofrenia e, assim sendo, isolou-se do mundo.

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