Você não é o primeiro a não me entender. Já possuo um longo
histórico de confusão mental e sentimental, e isso faz parte de mim, é
incontestável. Nunca soube explicar as coisas, me transformei em uma
consciência de si disfarçada, por dentro sou um sótão cheio de lembranças e
coisas que não deveriam estar ali. Nos últimos anos me tornei uma nostalgia
ambulante. Meus retrospectos não estão sadios, minha cabeça está uma zona
completa. Eu me perdi. Estou me sentindo pequena demais em proporção ao mundo.
Estou fazendo tudo errado. Estou atravessando o sinal, voando alto demais,
fazendo loucuras desnecessárias e meu batom está exageradamente vermelho. Por
quê? O que aconteceu com minha insegurança, minha baixa autoestima, meus óculos
tortos? Para onde foi aquilo que tornava tudo mais fácil? Eu estava confortável
na minha conformação. Era favorável demais me sentar no sofá e sentir a brisa
sem me preocupar com a poluição que poderia afetar minha sinusite.
Será que preciso de tantas complicações? Eu gosto do sabor da insensatez
do meu próprio eu correndo em minhas veias, pulsando. Só que ainda quero segurança,
quero um conforto no sofá. Algo que seja minha morfina.
Agora você compreende porque é tão impossível assim me
entender? Existe pouca paciência em desvendar minha visão parada e meus lábios
semi cerrados. Meus sinais podem contestar minha lucidez, mas também afirmam
tudo que eu estou tentando transmitir e até tudo ao contrário. Eu sou esse bolo
de linhas tortas e falsas decifrações, falsas interpretações. Não me encontrei
e estou voltando pra casa com o salto alto na mão e o rímel borrado. A festa
foi boa, mas tudo me fez lembrar você.
Giovanna Girão

Nenhum comentário:
Postar um comentário