
Quando eu te
disse que nunca iria te esquecer, acredite, não foi mentira, até porque você foi o primeiro cara a ouvir algo assim de mim. Você não imagina o
quão sério isso é para mim. Eu sou daquelas pessoas realmente inseguras sabe?
Que fica pisando firme em tudo, pra saber se o campo é seguro; que fica
perguntando se as coisas realmente funcionam assim. Minha insegurança só me
permite sentir certezas. E eu estava certa e, por um lado ainda estou. Sei o que
sinto e o que deixo de sentir. Sei quantas vezes eu fui sincera e as inúmeras
em que me calei, porque se eu decidisse te dar de mão beijada tudo que me aflige
seria perigoso demais para minha autossuficiência. Eu tinha que manter a pose,
o salto alto e o batom. Isso é de mim, nós dois sabemos o meu problema em
aceitar as coisas. Sou teimosa, insistente... Mas agora eu estou deixando tudo
de lado, sabe? Sentei-me aqui, no meu conforto meio inconformado, mas estou
aceitando, pelo menos aos poucos.
Estou te deixando escolher o que você quer
pra nós. Estou tentando fazer o mínimo de exigências. E mesmo que pareça tudo “tanto
faz” demais, não é desinteresse, é só cansaço. Eu não
entrei nesse jogo com medo. Entrei insegura, cansada, frustrada e dizimada de
inúmeras batalhas incansáveis, essas que os oponentes foram me encostando, eu nunca era boa
o suficiente para estar no jogo. Mas não com medo de perder. O que eu perderia, afinal? A chance de ser um pouquinho feliz, mesmo que fosse uma completa historinha clichê? Sendo ou não, meti as caras. Eu sabia que
valeria a pena lutar por uma coisa que me faz feliz. Só que agora eu me vejo
aqui, sentada em uma cadeira, com o rosto um tanto inchado. Pensando, me
culpando e algumas vezes me cortando por dentro. Exercendo meu masoquismo cerebral.
Com o peito doendo, o coração cansado desses pontapés.
E eu? Mais
uma vez me encontro insegura, cansada e frustrada comigo mesma. Sentindo-me
esse bicho de sete cabeças completamente incompreensível. E o pior de tudo:
olhando pro passado e ainda auto afirmando que tudo vai dar certo, e amanhã
você vai cuidar de mim.
Giovanna Girão
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